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O Feiticeiro de Terramar
Autora: Ursula K. Le Guin
Páginas: 176
Editora: Arqueiro
Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda.
Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários.Publicado originalmente em 1968, O feiticeiro de Terramar se tornou um clássico da literatura de fantasia. Ged é um predecessor em magia e rebeldia de Harry Potter. E Ursula K. Le Guin é uma referência para escritores do gênero como Patrick Rothfuss, Joe Abercrombie e Neil Gaiman.



Ged, antes Duny, é um garoto normal, vive só com seu pai e irmãos, pois um ano depois de seu nascimento, sua mãe morreu.

Ele também tem uma tia, irmã de sua mãe, que cuidou dele quando novo, mas essa não liga muito para o menino.
Porém tudo muda num dia que o garoto repete para o rebanho de cabras, o que sua tia falou para uma cabra no dia anterior, isso faz com que elas persigam o menino, e por estar com medo de se machucar com os chifres, ele corre desesperadamente para a aldeia, chegando lá, sua tia percebe que ele tem o dom para a magia.
Assim, começa o aprendizado de Ged na nobre arte da magia mas sua tia, não quer só o ensinar, ela também quer o controlar. Será que conseguirá? E porque ela quer isso? Ela é uma feiticeira das trevas?

Ged passou uma parte de sua infância ajudando e aprendendo com sua tia, até que os Kargs tentaram invadir sua aldeia, mas o garoto conseguiu salvar seus pais e colegas, assim, seu feito chamou a atenção de Ogion, um grande feiticeiro, que o pegou como aprendiz.
Após um tempo com Ogion, o impaciente Ged vai à Roke, monte onde abriga uma escola para feiticeiros, e lá passa aproximadamente 6 anos.
Lá ele faz grandes amizades, mas também inimizades.
E como nem tudo é feliz, por ser arrogante e num momento de ódio, liberta uma grande mau em Terramar, mau esse que fica à sua procura.

Ao completar 18 anos, Ged se torna um mago, e em sua primeira missão ruma para Baixa Torninga, uma das ilhas que fica perto da antiga cidade/Ilha de Pendor, atual lar de um antigo Dragão e outros 8 dragões.
Ela vai lá para proteger o pessoal de Baixa Torninga, pois estão com medo de um dos 8 dragões jovens ataque seu lar.
Será que o jovem mago conseguirá derrotar os 9 dragões? Se sim como? E o que está o seguindo, irá encontrá-lo?
Ao retornar à Baixa Torninga Ged decide sair da aldeia, e parte para Roke, mas não consegue voltar à ilha dos magos, e um estranho o faz ir para Osskil, um lugar obscuro, que muitos falam que é ruim.
Por que Duny não consegue voltar à Roke? E que lugar é esse Osskil? Um lugar bom? Ruim? O que o jovem encontrará lá?
Única coisa que digo é: lá, ele encontra, um velho rosto conhecido, quem é, não irei responder, mas é um personagem que queria muito ter visto mais, mas infelizmente, aparece pouco. 

Depois de um tempo, Ged volta a Gont e na casa de Ogion, seu antigo mestre, passa um tempo lá, mas ele não pode colocar o mago em risco também, e assim, com a idéia dada por Ogion, volta onde tudo começou (quando deixou de ser Duny e se tornou homem, com seu novo nome Ged) e começa a perseguir a sombra que invocou a uns anos, pois só assim, poderia derrotar ela.
Assim ela ruma a procura da Sombra, e se esbarra em mais um rosto conhecido, e assim, ele e seu amigo Vetch partem atrás da Sombra. O que irá acontecer aos dois? Ged conseguirá derrotar esse mau que trouxe a Terramar? Ele irá morrer? E seu amigo? Bem para essas e outras perguntar, leiam O Feiticeiro de Terramar, primeiro volume da série de Ursula K. Le Guin, Ciclo de Terramar.


Duny/Ged é um cara legal, porém falho, ele é invejoso, apressado, ganancioso (ao ponto de causar um grande mau quando vai se mostrar um um feitiço, chamando a Sombra por mundo), mas é isso que dá a graça aos protagonista feito por Ursula, fugindo total dos protagonistas fodões e perfeitinhos."- A vaidade era o mestre de sua mente - falou o amigo sorrindo, como se conversassem sobre algum assunto sem importância. - Agora pensei: é sua busca, sem dúvida, mas se você fracassar, não deveria haver alguém que pudesse levar o aviso ao Arquipélago? Pois a sombra seria então muito poderosa E se você derrotar a criatura, não deveria haver alguém para contar ao Arquipélado para que os feitos possam ser conhecidos e cantados? Sei que posso não lhe ser útil; ainda assim, acho que deveria ir com você.- Eu não devia ficar aqui um dia. Eu sabia, mas fiquei - observou Ged, que não poderia dizer não ao amigo.- Magos não se encontram por acaso, rapaz - completou Vetch. - Afinal, como você mesmo disse, eu estava no começo de sua jornada. É certo que eu deva acompanhar você até o fim."
Porém, apesar de todos as suas falhas, Ged, quando amadurece, faz o certo, e ainda faz mais do que o certo, se distancia de todo, para nos os machucarem, até mesmo de seus amigos, o que é uma atitude linda.


"- Pensei que você não viria me ver, Vetch - falou Ged.
Ele não censurava o outro, mas Vetch respondeu.
- Eu não podia visitá-lo. O Mestre Herbalista me proibiu; e desde o inverno estive com o mestre no bosque. Eu não estava livre até receber meu cajado. Ouça com atenção: você também está livre, venha para o domínio do Leste. Há alegria nos pequenos vilarejos dali, e os feiticeiros são bem-vindos.
- Livre... - murmurou Ged e, dando de ombros num pequeno gesto, tentou sorrir.
Vetch o encarou, não como ele costumava fazer, e não havia menos amor, porém havia mais feitiçaria, digamos. E ele falou bondosamente:
- Você não ficará preso a Roke para sempre.
- Ora... eu pensei, talvez eu possa ir ajudar o mestre na torre, ser um dos que buscam nos livros e nas estrelas os nomes perdidos, e então... então não causar mais dano nenhum e tampouco muito bem...
- Talvez - disse Vetch. - Não sou vidente, porém não veho diante de você salas e livros, mas sim mares distantes e o fogo dos dragões, as torres das cidades, todas essas coisas que um gavião vê quando voa bem alto para muito longe." 

Os únicos outros personagens interessantes, é Vetch, que se torna único amigo de Duny em Roke.
Ele é um amorzinho demais, de longe o melhor personagem secundário e que ganhou meu coração facilmente.
"- ... Mas me diga aonde você vai, o que vai fazer.
- Vou para casa, ver meus irmãos e irmã de quem tanto falo. Eu a deixei quando ela era pequena e agora ela está prestes a receber seu novo feiticeiro em alguma parte das pequenas ilhas. Ah, eu ficaria conversando com você, mas não posso, meu navio parte hoje à noite e a maré ja virou. Gavião, se um dia você seguir o caminho do Leste, venha me ver. E se um dia precisar de mim, me avise e me chame pelo meu nome: Estarriol.
Ao ouvir isso, Ged ergueu o rosto cheio de cicatrizes e olhou nos olhos de seu amigo.
- Estarriol - repetiu ele. - Meu nome é Ged."



A irmão de Vetch (sorry, esqueci o nome), mas ela pareceu uma personagem muito gente boa e amozinho (como o irmão), apesar de aparecer BEM pouco (como a maioria aqui).
Mas uma coisa dita por ela me intricou, me pareceu que ela, como seu irmãos, também tem magia, só o tempo dirá sobre isso. 


E Serret, conhecida de Ged nos arredores da vila que Ogion viveu, ela aparece MUITO pouco, mas o pouco que aparece, se mostrou uma pessoa não muito boa, mas não sabemos nada dela, não sabemos o que viveu, e isso dificulta muito sabermos como ela é de verdade.
Porém, ela é uma personagem interessante e que me fez sentir MUITA vontade de conhecer melhor.

Bem, a narrativa de Ursula em O Feiticeiro de Terramar é bem simples, o que não é ruim, pois o livros me ganhou exatamente ai, na simplicidade, o que só foi ruim em alguns casos, como no pouco destaque pros personagens secundários, tirando os que citei, o protagonista, nenhum outro personagem me encantou, então, acho que o pouco trabalho com os personagens secundários de Ursula nesse livro foi um ponto fraco dele.
Mas, o livro é ótimo, o protagonista também, alias, sobre o protagonista tenho que falar uma coisa, ele é mulato, e o outro personagem de mais destaque, seu amigo Vetch é negro, vocês podem comentar que isso não importa, mas importa sim, quantos protagonistas negros e além de mais heróis negros conhecem em obras literárias? Aposto que são bem poucos, e Ursula fez isso lá em 1968, época que ter uma obra assim, era coisa de ‘louco’, e muitas vezes, até em capas de livros, omitia que o personagem era negro, para não prejudicar o livro (como aconteceu com um certo livro de George R. R. Martin), mas Ursula, fez diferente, realmente, uma pessoa a frente de seu tempo. 
O livro possui uma drama central com começo, meio e fim, onde tudo se resolve nesse livro mesmo, o que não é ruim, e na verdade, nos deixa ainda mais curiosos sobre o que vai acontecer nos livros que estão por vir. 



QUOTES


“Só no silêncio a palavra, só na escuridão a luz, só na morte a vida: nítido o vôo do falcão no céu vazio.” - A Criação de Éa

“Vivia na aldeia uma irmã da sua falecida mãe que fizera o necessário por ele enquanto bebê mas, tendo coisas suas com que se ocupar, não se importou mais com ele assim que o rapaz pôde cuidar de si próprio. Mas certo dia, quando Duny tinha já sete anos, sem nada ter sabido ou aprendido das artes e poderes que há no mundo, ouviu a tia gritar palavras para uma cabra que saltara para cima do telhado de colmo de uma cabana e não queria descer. Mas assim que a mulher lhe gritou uma certa rima, logo saltou dali para baixo. No dia seguinte, estava ele a guardar as cabras de longo pêlo nos pastos da Cascata Grande, Duny gritou-lhes as palavras que ouvira à tia, embora lhes desconhecesse o uso ou o sentido, ou até que tipo de palavras eram:Noth hierth malk man Hiolk han merth han!Bradou a rima bem alto e as cabras chegaram-se a ele. Vieram muito rápidas, todas juntas, sem soltar o mínimo som. E puseram-se a fitá-lo com a fenda escura dos seus olhos amarelos.”


“Duny riu-se e voltou a gritar as palavras, a rima que lhe dava poder sobre as cabras. Elas aproximaram-se mais, empurrando-se umas às outras e apinhando-se em volta dele. E, de súbito, sentiu medo dos seus cornos densos, estriados de anéis, dos seus olhos estranhos e do seu estranho silêncio. Tentou libertar-se dos animais e fugir, mas as cabras deitaram a correr juntamente com ele, formando como que um nó ao seu redor, e foi assim que finalmente entraram como um furacão na aldeia, com as cabras sempre estreitamente agrupadas, como se tivessem uma corda apertada à sua volta, e o rapaz no meio delas, chorando e berrando.”


“Das casas vieram correndo os aldeões, a praguejar contra as cabras e a rir de Duny. E entre eles vinha a tia, mas essa não se riu. Disse uma palavra às cabras, que se puseram a berrar, a tasquinhar a erva e a andar cada uma para seu lado, livres do esconjuro.— Venha comigo — disse ela a Duny.”


“Como filho da irmã, Duny nada significara para ela, mas agora via-o com outros olhos.”


“E então a bruxa falou a Duny numa língua que ele não entendia e obrigou-o a repetir com ela certas rimas e palavras, até que a encantamento se apoderou dele e o manteve imóvel.— Fale! — ordenou ela para testar o feitiço.O rapaz não conseguiu falar, mas riu-se.E então a tia sentiu algum medo da força do rapaz, porque aquela era um encantamento dos mais fortes que ela sabia usar. Tentara não só obter controle sobre a fala e o silêncio do rapaz, como ainda sujeitá-lo ao seu serviço nas artes da bruxaria. E, no entanto, mesmo quando a encantamento o subjugou, ele rira.”


"Depois, quando o ar ficou limpo e Duny pôde voltar a falar, ensinou-lhe o nome verdadeiro do falcão, aquele que obriga a ave a responder ao chamado.Foi assim o primeiro passo de Duny no caminho que iria seguir toda a sua vida, o caminho da magia, o caminho que, por fim, o levaria a perseguir uma sombra por terra e por mar, até as margens sem luz do reino da morte."


"Quando verificou que os falcões selvagens desciam sobre ele abandonando o vento e pousando com um trovejar de asas no seu pulso, como as aves de altanaria de um príncipe, foi tomado pela sede de conhecer mais nomes como aquele e foi ter com a tia, rogando que lhe ensinasse o nome do gavião, do grifo e da águia. Para obter as palavras de poder, fez tudo o que a bruxa lhe pediu e aprendeu tudo que ela lhe soube ensinar, embora nem tudo fosse agradável de aprender ou de saber."


"- A garota também já é meio bruxa. Pode ser que a mãe a tenha enviado para conversar com você. Pode ser que ela tenha aberto o livro na página que você leu. Os poderes aos quais ela serve não são os mesmos a que eu sirvo: ignoro o que ela pretende, mas sei que ela não me deseja nenhum bem. Ged, ouça-me com atenção agora. Nunca lhe ocorreu que o perigo ronda o poder como a sombra persegue a luz? A feitiçaria não é um jogo que jogamos por diversão ou para receber elogios. Pensei nisto: toda palavra, todo ato de nossa arte, é falada e é feita para o bem ou para o mal; Antes de você falar ou fazer, tem que saber o preço a pagar!"


"... Um dia, porém, com a ideia de final deixar Jaspe constrangido, Ged falou ao Mestre Malabar, no Pário das Aparências:- Senhor, todos esses encantamentos são basicamente a mesma; quando se conhece um, se conhecem todos. Assim que acaba o feitiço, a ilusão desaparece. Mas, se eu transformar um seixo num diamante - e ele o fez com uma palavra e um gesto do pulso -, o que eu devo fazer para que o diamente continue a ser diamante? Como proteger o feitiço de transformação e fazê-lo durar? O Mestre Malabar fitou a joia que reluzia na palma da mão de Ged, brilhante como prêmio do tesouro de um dragão. O velho mestre murmurou uma palavra - TOLK -, ali estava o seixo de volta, não mais uma joia, mas um fragmento de rocha cinzento e áspero. O mestre pegou-o e segurou-o em sua mão.- Isto é um rocha, TOLK na língua verdadeira - falou ele, erguendo o olhar doce para Ged. - Um pedaço da pedra da qual a ilha de Roke é feita, um pedacinho da terra seca na qual vivem os homens. É ela mesma. Parte do mundo. Pela ilusão-transformação, você pode fazê-la parecer um diamente... ou uma flor, uma mosca, um olho ou uma chama... - A rocha ia mudando de forma em forma à medida que ele a nomeava e voltou a ser rocha. - Mas isso é mera aparência. A ilusão engana os sentidos do observador; faz com que ele veja, ouça e sinta que a coisa mudou. Mas não muda a coisa. Para transformar esta pedra em joia, você precisa mudar seu verdadeiro nome. E fazer isso, meu filho, mesmo para um fragmento minúsculo do mundo, é mudar o mundo. Dá para fazer. Dá sim. É a arte do Mestre das Transformações, e você vai aprendê-la quando estiver pronto. Mas não deve transformar um seixo ou um grão de areia, nada, até saber o bem e o mau que vão resultar desse gesto. O mundo mantém seu balanço, seu equilibrio. O poder de transformação e de invocação de um feiticeiro pode abalar esse equilíbrio. É perigoso, esse poder. Nocivo e grande parte. E deve vir acompanhado do conhecimento e servir à necessidade. Acender uma vela é lançar uma sombra...- Uma pedra é uma coisa boa também, sabe? - falou ele, de um jeito menos grave. - Se as ilhas de Terramar fossem todas feitas de diamante, teríamos uma vida difícil por aqui. Aproveite as ilusões, rapaz, e deixe as pedras serem pedras."


"Ged suspirava às vezes, mas não reclamava. Ele viu que, nesta matéria empoeirada e obscura de aprendizado, o poder que ele queria se encontrava, como um joia, no fundo de um poço seco: o verdadeiro nome de cada local, coisa e ser. Pois a magia consiste nisso: nomear verdadeiramente uma coisa. Por isso Kurremkarmerruk tinha dito a eles uma vez, na primeira noite na torre; ele nunca repetiu, mas Ged não esqueceu suas palavras:- Muitos magos com grande poder passaram a vida inteira para descobrir o único nome oculto ou perdido de uma única coisa. E as listas ainda não foram terminadas. Nem serão até o fim do mundo. Preste atenção e você verá por quê. No mundo sob o sol, e no outro mundo onde não há sol, há muita coisa que nada tem a ver com os homens ou com a língua dos homens, e há poderes além do nosso poder. Mas a magia, a verdadeira magia, foi elaborada somente por esse seres que falam a língua hárdica de Terramar ou a língua antiga a partir da qual esta nasceu."


"- Essa é a língua falada pelos dragões, a língua que Segoy usou para criar as ilhas do mundo e a linguagem de nossas trovas e canções, nossos feitiços, encantamentos e invocações. Suas palavras encontram-se ocultas e modificadas entre as nossas palavras na língua hásdica. Chamamos a espuma das ondas de SUKIEN: palavra formada a partir de duas palavras da língua antiga, SUK, pena e INIEN, o mar. Espuma é a pena do mar. Mas não é possível encantar a espuma chamando-a de SUKIEN; vocês devem usar seu nome próprio e verdadeiro na língua antiga, que é essa. Qualquer bruxa sabe algumas dessas palavras na língua antiga, e um mago conhece muitas delas. Mas há ainda infinitas outras: algumas ficaram perdidas por eras, outras são conhecidas apenas pelos dragões e os poderes antigos da terra, outras não são conhecidas por nenhuma criatura viva. E nenhum homem poderia conhecer todas elas, pois essa língua não tem fim."


"... Um mago pode controlar somente o que está próximo a ele, o que ele pode nomear plena e exatamente. E isso é bom. Se não fosse assim, a maldade do poderoso ou a loucura do sábio há muito teriam feito de tudo para modificar o que não pode ser modificado, e o equilíbrio se romperia."


"- Em sonhos, senhor. - Após uma pausa, Ged emendou, falando com dor e vergonha: - Sr Gensher, não sei o que era... a coisa que saiu do feitiço e se lançou sobre mim...- Tampouco eu sei. Aquilo não tem nome. Você nasceu com grande poder, mas o usou de maneira errada, para lançar um feitiço sobre o qual não tinha controle, sem saber como afetaria o equilíbrio de luz e trevas, vida e morte, bem e mal. E você foi movido a isso por vaidade e ódio. É de admirar que o resultado fosse a ruína? Você invocou um espirito dos mortos, mas com ele veio um dos poderes da não vida. Sem ser chamado, veio de um local onde não há nomes. Maligno, quer realizar o chamado, veio de um local onde não há nomes. Maligno, quer realizar o mal através de você. O poder que usou para chamá-lo lhe dá poder sobre você: estão conectados. É a sombra de sua arrogânia, a sombra de ignorância, a sombra que você lançou. Uma sombra tem nome?"

"Ged se manteve de pé, imóvel por algum tempo, como se tivesse recepidos uma grande notícia e devesse engrandecer o espírito para recebê-la. Vetch lhe dera um grande presente: dar-lhe a conhecer seu verdadeiro nome. Ninguém sabe o verdadeiro nome de um homem, a não ser ele mesmo e seu nomeador. Ele pode escolher contar ao irmão, à esposa, a algum amigo, mesmo assim esses poucos nunca o usarão onde qualquer outra pessoa possa ouvi-los. Diante de outras pessoas, eles o chamarão, assim como os outros, pelo nome de uso, o apelido - um nome como 'Gavião', 'Vetch', 'Ogion'. Se homens comuns acultam seu verdadeiro nome de todos, a não ser de uns poucos que amam e nos quais confiam plenamente, com muito mais razão o fazem também os feiticeiros, por serem muito mais ameaçadores e mais ameaçados. Aquele que sabe o nome de um homem tem a vida desse homem nas mãos. Portanto, para Ged, que tinha perdido a fé em si mesmo, Vetch dera esse presente que somente um amigo pode das: a prova de confiança inabalada e inabalável."


"- Não há conforto nesse lugar - dissera o arquimago a Ged no dia em que o fizera mago: - Nem fama nem riqueza; talvez nenhum risco. Você vai?- Eu vou - respondera Ged; e não apenas por obediência.Desde a noite no monte de Roke, seu desejo se manisfestara contra a fama e o exibicionismo da mesma forma que um dia residira nisso. Agora ele sempre duvidava de sua força e temia ter de provar que possuía poder. Além disso, a conversa sobre dragões provocara uma grande curiosidade nele. Em Gont, não havia dragões fazia muitas centenas de anos e nenhum jamais voaria ao alcance do alfato, da visão ou do feitiço de Roke, de modo que ali também eles eram somente tema de histórias e canções, criaturas sobre as quais se falava, mas que nunca haviam sido vistas. Ged tinha aprendido tudo que podia sobre dragões na escola, mas uma coisa era ler sobre eles e outra, encontrá-los. A oportunidade que se apresentava era excelente, e com veemência ele respondera:- Eu vou.O arquimago Gensher tinha assentido com a cabeça, mas sua expressão era sombria.- Me diga - falara, por fim. - Você teme ir embora de Roke? Ou está ansioso por isso?- As duas coisas, senhor.Mais uma vez, Gensher assentira com a cabeça.- Eu não sei se faço o certo ao enviá-lo para longe de sua segurança aqui - falara em voz muito baixa. - Não consigo enxergar o seu caminho. Está tudo na escuridão..."


"- Oito filhos eu tive, pequeno mago - falou a voz rouca do dragão. - Cinco morreram e um está morrendo: basta. Você não vai conquistar meu tesouro matando-os.- Eu não quero seu tesouro.A fumaça amarela sibilou das narinas do dragão: era a sua risada.- Você não quer vir para terra firme e ver meu tesouro, pequeno mago? Vale a pena dar uma olhada;- Não dragão. Os dragões têm parentesco com o vento e o fogo. Eles não ficam à vontade no mar. Até então, essa fora a vantagem de Ged, e ele estava determinado a mantê-la, mas a faixa de água do mar entre ele e as grandes garras cinzentas não parecia mais uma vantagem tão grande assim."


"Era difícil não olhar para os olhos verdes e observadores.- Você é um mago muito jovem - falou o dragão. - Eu não sabia que homens tão jovens adquiriam poder. O dragão falava, assim como Ged, na língua antiga, pois essa ainda era a língua dos dragões. Embora o uso da língua antiga prenda um homem à verdade, isso não vale para os dragões. Como é a sua própria língua, eles são capazes de mentir ao falar nela, distorcendo as palavras verdadeiras para finalidades falsas, capturando o ouvinte desatento num labirinto de palavras-espelho, cada uma delas refletindo a verdade, mas levando a lugar nenhum. Ged fora advertido sobre isso com frequência, e quando o dragão falava, ele escutava com atenção e um ouvido desconfiado, cheias de dúvidas. Mas as palavras pareciam simples e claras."

"- Você veio até aqui pedir a minha ajuda, pequeno mago?- Não, dragão.- Ainda assim eu poderia ajudá-lo. Você vai precisar de ajuda em breve, contra aquilo que o persegue na escuridão. Ged ficou parada, mudo. O dragão continuou:- O que é aquilo que o persegue? Diga o nome para mim.- Se eu pudesse nomeá-lo... - Ged se interrompeu. ...- Se você pudesse nomeá-lo, talvez pudesse dominá-lo, pequeno mago. Talvez eu possa lhe dizer seu nome, quando eu for capaz de observá-lo de perto. E logo, logo aquilo vai se aproximar se você continuar aqui, na minha ilha. Aquilo o segue, não importa aonde vá. Se não quiser que auilo se aproxime, você deve fugir, fugir daquilo sem parar. Porém aquilo vai seguir você. Gostaria de saber o nome dele? Ged ficou de pé e em silêncio mais uma vez. Ele não fazia ideia de como o dragão sabia sobre a sombra que ele libertara nem como o dragão poderia saber o nome dela. O aquimago dissera que a sombra não tinha nome. Ainda assim, os dragões têm a própria sabedoria e são de uma raça mais antiga que a do homem. Poucos humanos podem adivinhar o que um dragão sabe e como sabe, e esses poucos são os senhores dos Dragões. Para Ged, somente uma coisa era certa: embora o dragão pudesse muito bem estar falando a verdade, apesar de haver a possibilidade de ele ser de fato capaz de dizer a Ged a natureza e o nome da sombra - e, portanto lhe dar o poder sobre ela -, ele o fazia para seus próprios fins."

" É muito raro - finalmente observou o jovem - um dragão oferecer um favor aos homens.- Mas é muito comum - falou o dragão - os gatos brincarem com os ratos antes de matá-los.- Eu não vim para brincar nem para que brinquem comigo. Vim para negociar com você....- Eu não negocio. Eu pego o que quero. O que você tem a me oferecer que eu não possa tirar de você à força quando quiser? - Segurança. A sua segurança. Jure que você nunca vai voar para leste de Pendor e eu juro que não vou machucá-lo...- Você me oferece segurança! Você está me ameaçando! Com o quê?- Com seu nome, Yevaud."


"- Estamos quites, Yevaud. Você tem a força; eu tenho o seu nome. Quer negociar?O dragão não respondeu.Durante muitos anos ele se espalhara na ilha onde peitorais dourador e esmeraldas jaziam entre poeira, tijolos e ossos; ele observara sua ninhada de lagastos escuros brincando entre casas desmoronadas, testando suas asas nos penhascos; dormira por muito tempo sob o sol, sem despertar ao ouvir uma voz ou o barulho das velas. Ele envelhecera. Agora era difícil se mover, encarar o rapaz mago, o inimigo frágil, diante do qual, ao ver o cajado, Yevaud, o velho dragão, recuou. - Você pode escolher nove pedras preciosas do meu tesouro - disse ele finalmente, sua voz sibilante e lamentosa em sua boca comprida. - A melhor parte: você fica com o que escolher. Então vá!- Não quero suas pedras, Yevaud."

" Aonde foi parar a ambição dos homens? Eles adoravam pedras brilhantes antigamente, ao Norte... Eu sei o que você quer, mago. Eu também posso lhe oferecer segurança, pois sei o que pode salvá-lo. Eu sei a única coisa que pode salvá-lo. Um horror o persegue. Vou lhe dizer o nome dele...- Não é isso o que estou pedindo, Yevaud...- Yevaud! Jure pelo seu nome que você e seus filhos nunca irão ao Arquipélago. Chamas irromperam subitamente, brilhantes e barulhentas, da boca do dragão, e ele gritou:- Eu juro pelo meu nome!O silêncio desceu sobre a ilha e então Yevaud baixou a grande cabeça." 


"Não havia nada parecido com a camaradagem entre os membros da tripulação que ele encontra a bordo do Sombra em sua primeira ida a Roke. Os marinheiros dos navios das Andrades e de Gont são parceiros comerciais, colaboram para o lucro comum, enquanto os mercadores de Osskil usam escravos e servos ou contratam homens para remar, pagando-os com pequenas moedas de ouro. Ouro é algo valioso ali. Mas não é uma fonte de camaradagem ali ou entre os dragões, que também adoram ouro. Como metade da tripulação era de servos, forçados a trabalhar, os oficiais do navio eram senhores de escravos grosseirões. Eles nunca baixavam seus chicotes nas costas de um remador que trabalhasse para pagar a passagem, mas não há solidariedade numa tripulação na qual alguns são açoitados e outros não." 


"- Aquele que abre mão do próprio poder, algumas vezes, se enche de um poder maios ainda."

"... E você veio de Osskil, e nas charnecas tentou enfrentar uma sombra com seu cajado de madeira; e por pouco nós conseguimos salvá-lo, pois essa coisa que o persegue é mais traiçoeira do que calculamos e já sugou grande parte de sua força... Somente a sombra pode enfrentar a sombra. Somente as trevas podem derrotar a escuridão..." 

"... Ouça Gavião! Do que você precisa para derrotar a sombra, que o aguarda do lado de fora destas paredes? - Eu preciso daquilo que não tenho como saber. O nome dela.- A Terrenon, que conhece todos os nascimentos e mortes, e seres antes e depois da morte, não nascidos e imortais, o mundo da luz e o das trevas, dirá o nome a você. - E o preço?- Não há preço. Eu lhe digo que ela lhe obedecerá e servirá a você como sua escrava...- Você será mais poderoso que todos os homens, um rei entre eles. Você governará e eu governarei com você..."

"Assim que o capturassem, eles o manteriam ali. Eles o salvaram da sombra porque não queriam que ele fosse possuído por ela até se tornar escravo da pedra. Quando sua vontade fosse dominada pelo poder da pedra, então eles deixariam a sombra penetrar as muralhas, pois um gebbeth era um escravo melhor que um homem."

"Se ele tivesse tocado alguma vez na pedra ou falado com ela, estaria totalmente perdido. Ainda assim, da mesma forma que a sombra não fora capaz de alcançá-lo e agarrá-lo, a pedra não tinha conseguido tomar conta dele - não ainda. Ele quase cedera - mas não. Não havia permitido. É muito difícil para o mal se apropriar da alma que não o consente."

"Quando era garoto - como todos os garotos -, Ogion tinha pensado que seria um jogo agradável assumir, por qualquer uma das artes mágicas, a forma que quisesse - homem ou animal, árvore ou nuvem -, brincando de se transformar em mil seres. Como mago, ele aprendera o preço dessa brincadeira, isto é, o perigo de perder a si mesmo, de afastar-se da verdade."

"Quanto mais um homem fica numa forma que não lhe é própria, maior é este perigo. Todo aprendiz de feiticeiro aprende a história do mago Bordger, de Way, que gostava de tomar a forma de urso, e tanto fez, e tantas vezes, que o urso cresceu nele e o homem desapareceu. Ele se tornou um urso e matou o próprio filho na floresta, sendo depois caçado e morto."  

"...Quando a noite caiu, ainda perambulava pelas ruas, relutando em voltar à hospedaria. Ele ouviu um homem e uma garota conversando alegremente enquanto desciam a rua e passavam por ele na direção da praça, e subitamente se virou, pois reconheceu a voz do homem. Ele foi atrás e alcançou o casal, ficando ao lado deles no fim do crepúsculo, ilumidado somente pelo brilho de lanternas distantes. A garota recuou, mas o homem o encarou e então ergueu o cajado que trazia, segurando-o entre eles como uma barreira para se defender de uma ameaça ou um ato maligno. E isso foi, de certa forma, mais do que Ged podia suportar. Sua voz tremeu um pouco quando ele falou:- Achei que você me reconheceria, Vetch. Mesmo nesse momento Vetch hesitou. - Eu conheço você - falou, baixando o cajado, pegando a mão de Ged e abraçando-o, envolvendo-o na altura dos ombros. - Eu conheço você! Bem-vindo, meu amigo, bem-vindo! Que triste recepção eu lhe dei, como se você fosse um fantasma vindo de muito longe... e eu esperei sua vinda e procurei você..."

"- Ah, sim, sou mago; mas, ouça, deixe-me dizer por que não o reconheci. Talvez tenha procurado demais por você. Há três dias... Você esteve aqui, em Iffish, há três dias.- Eu cheguei ontem.- Há três dias, numa rua em Quor, a aldeia que fica lá em cima, nas montanhas, eu vi você. Isto é, eu vi alguém muito parecido, uma imitação sua ou talvez simplesmente um homem que tinha a sua cara. Ele estava à minha frente, saindo da cidade, e dobrou a curva na estrada enquanto eu o observava. Eu chamei, mas não obtive resposta em o encontrei: tampouco havia rastro; mas o solo estava congelado. Foi estranho. E agora, ao ver você saindo das sombras desse jeito, pensei que estivesse sendo enganado novamente. Desculpe-me, Ged!"

"- É assim que um homem deve viver. - E Ged suspirou.- Ora, é um bom modo - falou, Vetch. - há outros, porém. Agora, rapaz, me conte, se conseguir, o que aconteceu com você desde que nos falamos pela última vez há dois anos. E me conte em que jornada você se meteu, pois vejo que não vai ficar muito tempo conosco...- Eu vou com você, Ged - finalmente falou.- Não.- Acho que vou, sim.- Não, Estarriol. Não é sua tarefa nem seu flagelo. Comecei sozinho este curso maligno e vou terminá-lo sozinho, não quero que outro sofra por causa disso... você, que tentou manter a minha mão longe do ator maligno desde o começo, menos que todos."



"- Há algo que eu temo, Estarriol. E que me assusta ainda mais se você estiver comigo quando eu for. Nas Mãos, no extremo da ilha, eu me deparei com a sombra, ela estava ao meu alcance e eu tentei pegá-la. E nada havia para segurar. Eu não consegui derrotá-la. Ela fugiu, eu segui. Mas isso pode acontecer de novo e de novo. Não tenho poder sobre a criatura. Pode não haver morte nem triunfo no final desta missão; nada para cantar; nenhum fim. Pode ser que eu tenha que passar a vida correndo de mar em mar, de terra em terra, numa busca infinita e vã pela sombra.- Não fale uma coisa dessas! - disse Vetch, virando a mão esquerda no gesto que dispensa a má sorte da qual se está falando. Apesar de todos os pensamentos sombrios, o gesto fez Ged sorrir um pouco, pois é mais um encanto de criança que de um mago; sempre via em Vetch essa inocência de aldeia. Ainda assim, ele também era atento, sagaz e ia direto ao assunto.- Esse é um pensamento sombrio e creio que falso. Acho que o que eu vi tem inicio e que posso ver seu fim. De algum modo, você vai conhecer a natureza da criatura, seu ser, o que é, e assim segurá-la, amarrá-la e derrotá-la, embora seja difícil descobrir o que é... Uma coisa me preocupa, pois não a compreendo: parece que agora a sombra caminha com a sua forma ou com um tipo de semelhança, no mínimo, como dizem em Vemish e que vi aqui em Iffish. Como isso pode acontecer e qual a razão de nunca ter acontecido no Arquipélago? - Como dizem: 'As regras mudam os domínios.'"

"... Um ditado verdadeiro, posso lhe garantir. Há bons feitiços que aprendi em Roke que não têm poder aqui ou que deixam de ser adequados, e também há feitiços que funcionaram aqui mas eu nunca aprendi em Roke. Toda regiao tem os próprios poderes e, quanto mais nos afastamos das regiões interiores, menos podemos imaginar os poderes e seu domínio. Mas não creio que seja apenas isso que opere essa mudança na sombra.- Nem eu. Creio que, quando parei de fugir dela e me voltei contra a criatura, essa mudança da minha vontade lhe deu forma e contorno, embora o memso ato tenha evitado que ela sugasse meus poderes. Todos os meus atos têm nela um eco; é minha criatura."
"- Onde fica Selidor?- Muito longe, no domínio do Oeste, onde os dragões são comuns como camundongos.- Melhor ficar no do Leste então, pois nossos dragões são pequenos como camundongos..."

"... Sabe, eu não compreendo: o senhor e meu irmão são magos poderosos, o senhor faz um gesto com a mão, murmura, e a coisa acontece. Por que então ficam com fome? Por que, no mar, não dizem 'bolo de carne!' na hora do jantar e o bolo de carne aparece para vocês comerem?- Ora, nós poderíamos fazer assim. Mas não queremos comer nossas palavras, como dizem por aí. 'Bolo de carne!', no fim das contas, é apenas uma expressão... Podemos torná-la cheirosa e saborosa, e até substanciosa, mas continua sendo apenas palavras. Engana o estômago, mas não dá força a um homem faminto."


"... Mas eu ainda não compreendo, Gavião. Tenho observado meu irmão e até o aprendiz dele fazerem luz em um local escuro simplesmente dizendo uma palavra. E a luz brilha, é luminosa, não é uma palavra, mas é uma luz com que você pode iluminar seu caminho!- Sim - respondeu Ged. - A luz é um poder. Um grande poder, por meio do qual nós existimos, mas que existe além de nossas necessidades, por si mesma. A luz do sol e a luz das estrelas são tempo, e tempo é luz. Sob a luz do sol, em dias e em anos, a vida existe. Em um lugar escuro, a vida pode invocar a luz, nomeando-a, mas normalmente, quando vemos um mago nomear ou chamar um coisa, o objeto que deve aparecer não é a coisa mesma. Ele não é capaz de invocar poder maior do que ele mesmo, e o que aparece é apenas uma ilusão. Para invocar alguma coisa que não está lá, chamá-la dizendo seu verdadeiro nome, usa-se um feitiço muito difícil que não deve ser executado desnecessariamente. Nem pela fome..."


OBS: Em algumas culturas reais antigas, um jovem muda de nome ao passar para a idade adulta, Ursula, usa isso com Duny, que vira Ged, ele tbm tem um apelido, Gavião.

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